Questão 27

Física. Campo gerado pelo solenoide.

Considere o projétil mostrado na Figura 1 que consiste de uma pilha e um ímã em cada uma das extremidades, cada um deles fazendo contato com o solenoide. O atirador coloca o projétil completamente no interior do solenoide, começando da extremidade direita e, a partir desse momento, o projétil sai do repouso e acelera para a outra extremidade, conforme mostrado na Figura 2.

Dados:

  • resistência por espira do solenoide: 0,04 Ω0{,}04\ \Omega;
  • os pontos de contato dos ímãs com o solenoide sempre distam 1010 espiras;
  • campo magnético produzido pelos ímãs: 1,5 T1{,}5\ \mathrm{T};
  • ddp da pilha: 6 V6\ \mathrm{V};
  • massa do projétil: 10 g10\ \mathrm{g};
  • comprimento do projétil: 50 mm50\ \mathrm{mm};
  • comprimento do solenoide: 300 mm300\ \mathrm{mm};
  • permeabilidade magnética do meio: 2⋅10−6 T⋅m/A2\cdot 10^{-6}\ \mathrm{T\cdot m/A}.

Observação:

  • experimentalmente estima-se que a força à qual o projétil é submetido, em Newtons, é numericamente igual a 4545 vezes o produto entre o campo magnético produzido pela circulação da corrente no interior do solenoide e o campo magnético produzido pelo ímã (ambos em Tesla).

Dado o contexto, o projétil começa a deixar o solenoide à velocidade, em m/s, de:

  1. 4,54{,}5

    Alternativa correta
  2. 5,05{,}0

  3. 3,03{,}0

  4. 3,53{,}5

  5. 4,04{,}0

Gabarito A

Resolução

O problema encadeia três etapas independentes: um circuito (para achar a corrente), um solenoide (para achar o campo que essa corrente cria) e uma dinâmica de força constante (para achar a velocidade final). Vamos uma a uma.

1. A corrente no circuito — Primeira Lei de Ohm. A pilha, através dos dois ímãs, faz contato com dois pontos do solenoide separados por 1010 espiras. Como o solenoide é um fio aberto, as duas “pontas” que sobram não fecham circuito e não conduzem: a corrente circula apenas pelo trecho de 1010 espiras compreendido entre os contatos. Logo,
R=10⋅0,04=0,4 Ω⇒I=UR=60,4=15 AR = 10\cdot 0{,}04 = 0{,}4\ \Omega \Rightarrow \mathrm{I} = \frac{U}{R} = \frac{6}{0{,}4} = 15\ \mathrm{A}

2. O campo criado pela corrente — solenoide ideal. O campo no interior de um solenoide percorrido por corrente I\mathrm{I} é
Bsol=μ n IB_{\text{sol}} = \mu\,n\,\mathrm{I}
onde nn é o número de espiras por unidade de comprimento. As 1010 espiras que conduzem ocupam exatamente o comprimento do projétil, ℓ=50 mm=0,050 m\ell = 50\ \mathrm{mm}=0{,}050\ \mathrm{m}:
n=100,050=200 espiras/mn = \frac{10}{0{,}050} = 200\ \mathrm{espiras/m}
Bsol=2⋅10−6⋅200⋅15=6⋅10−3 TB_{\text{sol}} = 2\cdot 10^{-6}\cdot 200\cdot 15 = 6\cdot 10^{-3}\ \mathrm{T}

3. A força e a aceleração — Segunda Lei de Newton. Pela observação do enunciado,
F=45 Bsol Bıˊma˜=45⋅6⋅10−3⋅1,5=0,405 NF = 45\,B_{\text{sol}}\,B_{\text{ímã}} = 45\cdot 6\cdot 10^{-3}\cdot 1{,}5 = 0{,}405\ \mathrm{N}
Com m=10 g=0,010 kgm = 10\ \mathrm{g} = 0{,}010\ \mathrm{kg},
a=Fm=0,4050,010=40,5 m/s2a = \frac{F}{m} = \frac{0{,}405}{0{,}010} = 40{,}5\ \mathrm{m/s^{2}}

4. O deslocamento disponível. O projétil parte completamente dentro do solenoide, encostado na extremidade direita, e “começa a deixar o solenoide” quando sua ponta dianteira alcança a extremidade esquerda. Nesse intervalo, o projétil percorre
d=Lsol−ℓ=300−50=250 mm=0,25 md = L_{\text{sol}} - \ell = 300 - 50 = 250\ \mathrm{mm} = 0{,}25\ \mathrm{m}

5. Equação de Torricelli. Partindo do repouso com aceleração constante,
v2=v02+2ad=0+2⋅40,5⋅0,25=20,25v^{2} = v_0^{2}+2ad = 0 + 2\cdot 40{,}5\cdot 0{,}25 = 20{,}25
v=20,25=4,5 m/sv = \sqrt{20{,}25} = 4{,}5\ \mathrm{m/s}

A ordem de grandeza é coerente com um “canhão de Gauss” caseiro: alguns metros por segundo. Note que a hipótese de força constante é razoável porque, à medida que o projétil avança, ele sempre curto-circuita as mesmas 1010 espiras, mantendo corrente e campo inalterados.