Questão 24

Física. Lançamento oblíquo e centro de massa.

Um soldado lança uma granada a uma velocidade inicial de 102 m/s10\sqrt{2}\ \mathrm{m/s}, por uma direção que perfaz um ângulo de 45∘45^{\circ} com o solo. Antes de atingir o solo, a granada explode, dividindo-se em dois fragmentos de 2/32/3 e 1/31/3 de sua massa inicial. Após a explosão, o fragmento mais leve se projeta à direita e o mais pesado à esquerda, conforme a figura. Exatamente após 1,9 s1{,}9\ \mathrm{s} do lançamento da granada, o fragmento mais pesado atinge um pequeno buraco de 5 cm5\ \mathrm{cm} de profundidade no solo.

Dado:

  • aceleração da gravidade: g=10 m/s2g=10\ \mathrm{m/s^{2}}.

No instante em que o fragmento mais pesado atinge o solo, a distância vertical, em cm, do fragmento mais leve até o solo é:

  1. 55

  2. 9595

  3. 295295

    Alternativa correta
  4. 145145

  5. 195195

Gabarito C

Resolução

O princípio que resolve a questão em poucas linhas é o do movimento do centro de massa: a explosão é produzida por forças internas, que não alteram a resultante externa sobre o sistema. Como a única força externa continua sendo o peso, o centro de massa dos dois fragmentos segue exatamente a mesma parábola que a granada descreveria se não tivesse explodido — até o instante em que um dos fragmentos toca o solo.

A parábola do centro de massa: com v0=102 m/sv_0=10\sqrt{2}\ \mathrm{m/s} e θ=45∘\theta=45^{\circ},
v0y=v0 sen⁡45∘=102⋅22=10 m/sv_{0y} = v_0\,\sen 45^{\circ} = 10\sqrt{2}\cdot\frac{\sqrt{2}}{2} = 10\ \mathrm{m/s}
Tomando a origem no ponto de lançamento, no nível do solo,
ycm(t)=10 t−12⋅10 t2=10t−5t2y_{cm}(t) = 10\,t - \frac{1}{2}\cdot 10\,t^{2} = 10t-5t^{2}

No instante t=1,9 st=1{,}9\ \mathrm{s}:
ycm(1,9)=10(1,9)−5(1,9)2=19−5(3,61)=19−18,05=0,95 my_{cm}(1{,}9) = 10(1{,}9) - 5(1{,}9)^{2} = 19 - 5(3{,}61) = 19-18{,}05 = 0{,}95\ \mathrm{m}

Relacionando com as alturas dos fragmentos: sendo MM a massa da granada, o fragmento pesado tem 23M\dfrac{2}{3}M e o leve 13M\dfrac{1}{3}M. Por definição de centro de massa,
ycm=23M yp+13M yℓM=23 yp+13 yℓy_{cm} = \frac{\frac{2}{3}M\,y_{p} + \frac{1}{3}M\,y_{\ell}}{M} = \frac{2}{3}\,y_{p} + \frac{1}{3}\,y_{\ell}

Isolando a altura do fragmento leve:
yℓ=3 ycm−2 yp(Equac¸a˜o I)y_{\ell} = 3\,y_{cm} - 2\,y_{p} \quad \text{(Equação I)}

Aplicando no instante dado: o enunciado informa que, em t=1,9 st=1{,}9\ \mathrm{s}, o fragmento pesado chega ao fundo de um buraco de 5 cm5\ \mathrm{cm} de profundidade. Medindo as alturas a partir da superfície do solo,
yp(1,9)=−0,05 my_p(1{,}9) = -0{,}05\ \mathrm{m}

Substituindo na Equação I:
yℓ=3(0,95)−2(−0,05)=2,85+0,10=2,95 my_{\ell} = 3(0{,}95) - 2(-0{,}05) = 2{,}85 + 0{,}10 = 2{,}95\ \mathrm{m}

Portanto, a distância vertical do fragmento mais leve até o solo é
yℓ=2,95 m=295 cmy_{\ell} = 2{,}95\ \mathrm{m} = 295\ \mathrm{cm}

Conferindo a consistência física: sem explosão, a granada cairia em t=2 st=2\ \mathrm{s} (pois 10t−5t2=010t-5t^2=0). O fragmento pesado, que recebeu impulso para trás e para baixo, chega antes, em t=1,9 st=1{,}9\ \mathrm{s}; em compensação, o leve — que é o mais rápido, por ter metade da massa do outro — ainda está bem alto, a quase 3 m3\ \mathrm{m}. Repare também que a profundidade do buraco, de apenas 5 cm5\ \mathrm{cm}, é multiplicada por 22 na Equação I e responde pela diferença entre 285 cm285\ \mathrm{cm} e os 295 cm295\ \mathrm{cm} da resposta: é justamente esse detalhe que separa o valor correto de uma alternativa “quase certa”.