Questão 25

Física. Eletrodinâmica — resistência equivalente e simetria.

Duas malhas resistivas são construídas conforme a figura.

Dica:

  • R=R/2+R/2\mathrm{R} = \mathrm{R}/2 + \mathrm{R}/2.

A razão entre as correntes I1\mathrm{I}_1 e I2\mathrm{I}_2 é um número real pertencente ao intervalo:

  1. (0 , 1/2)(0\,,\,1/2)

  2. (1/2 , 1)(1/2\,,\,1)

  3. (1 , 3/2)(1\,,\,3/2)

    Alternativa correta
  4. (3/2 , 2)(3/2\,,\,2)

  5. (2 , 5/2)(2\,,\,5/2)

Gabarito C

Resolução

Compreendendo as duas malhas: apesar de o desenho parecer diferente, as duas malhas são topologicamente idênticas — cada uma é um hexágono de seis resistores RR no perímetro mais um nó central ligado aos seis vértices por outros seis resistores RR (doze resistores no total, a chamada “roda de seis raios”). A única diferença está em onde a bateria é ligada:

  • na malha 1, entre dois vértices vizinhos do hexágono (há um resistor RR ligando-os diretamente);
  • na malha 2, entre dois vértices separados por um vértice.

Pela Primeira Lei de Ohm, I=V/Req\mathrm{I}=V/R_{eq}; como a mesma fonte VV alimenta as duas malhas,
I1I2=Req,2Req,1\frac{\mathrm{I}_1}{\mathrm{I}_2} = \frac{R_{eq,2}}{R_{eq,1}}
Todo o problema é, portanto, calcular as duas resistências equivalentes.

A ideia que destrava o circuito: desdobrar o nó central. O que impede de enxergar séries e paralelos é o nó central, que amarra os seis raios em um ponto só. Repare, porém, na simetria: o eixo vertical da figura troca os dois terminais entre si e emparelha os demais vértices dois a dois. Como o espelho troca a entrada pela saída de corrente, a corrente que chega ao centro vindo de um vértice é exatamente a que sai do centro para o vértice espelhado.

Ou seja: dentro do nó central não há nenhuma troca de corrente entre pares diferentes. Cada par usa o centro como um ponto de passagem só seu. Podemos então desdobrar o nó central em nós independentes, um por par, sem alterar nenhuma corrente do circuito — e o emaranhado vira uma associação comum de série e paralelo. Cada par de raios em série vale 2R2R.

Malha 1 — terminais em vértices vizinhos. Chamando os terminais de AA e BB e seguindo o hexágono, os pares espelhados são AA–BB (embaixo), FF–CC (horizontal) e EE–DD (em cima). O centro se desdobra em três nós: O1O_1, O2O_2 e O3O_3. (Todos os doze resistores valem RR; os rótulos foram omitidos na figura para não poluir o desenho.)

Agora é só reduzir de dentro para fora:

  • EE e DD estão ligados de duas maneiras — pelo resistor do perímetro (RR) e pelo caminho EE–O3O_3–DD (2R2R). Em paralelo: R⋅2RR+2R=2R3\dfrac{R\cdot 2R}{R+2R} = \dfrac{2R}{3}.
  • o caminho de cima, de FF até CC, fica R+2R3+R=8R3R + \dfrac{2R}{3} + R = \dfrac{8R}{3}.
  • entre FF e CC existe também o caminho direto FF–O2O_2–CC (2R2R). Em paralelo: 2R⋅8R/32R+8R/3=8R7\dfrac{2R\cdot 8R/3}{2R + 8R/3} = \dfrac{8R}{7}.
  • o ramo externo completo, de AA até BB, é R+8R7+R=22R7R + \dfrac{8R}{7} + R = \dfrac{22R}{7}.

Restam então três caminhos em paralelo entre os terminais: o resistor direto AA–BB, o caminho AA–O1O_1–BB e o ramo externo.

1Req,1=1R+12R+722R=22+11+722R=4022R⇒Req,1=1120 R\frac{1}{R_{eq,1}} = \frac{1}{R} + \frac{1}{2R} + \frac{7}{22R} = \frac{22+11+7}{22R} = \frac{40}{22R} \Rightarrow R_{eq,1} = \frac{11}{20}\,R

Malha 2 — terminais separados por um vértice. Chamando os terminais de PP e QQ, o eixo de simetria agora passa por dois vértices — TT em cima e MM embaixo — e pelo centro. Esses três nós não trocam de lugar no espelho, e por isso estão todos no mesmo potencial (o potencial médio entre os terminais).

Consequência imediata: os dois raios verticais, centro–TT e centro–MM, ligam nós de mesmo potencial. Não passa corrente por eles, e podemos simplesmente retirá-los do circuito (tracejados na figura). Sobram quatro raios, que se emparelham como antes: PP–QQ no nó O1O_1 e UU–WW no nó O2O_2.

De novo sobram três caminhos em paralelo entre PP e QQ:

  • por baixo, passando por MM: R+R=2RR + R = 2R;
  • pelo nó desdobrado: PP–O1O_1–QQ, que vale 2R2R;
  • por cima: de UU a WW há o caminho UU–O2O_2–WW (2R2R) em paralelo com UU–TT–WW (R+R=2RR+R=2R), o que dá RR; somando os resistores PP–UU e WW–QQ, o ramo inteiro vale R+R+R=3RR + R + R = 3R.
1Req,2=12R+12R+13R=3+3+26R=86R⇒Req,2=34 R=1520 R\frac{1}{R_{eq,2}} = \frac{1}{2R} + \frac{1}{2R} + \frac{1}{3R} = \frac{3+3+2}{6R} = \frac{8}{6R} \Rightarrow R_{eq,2} = \frac{3}{4}\,R = \frac{15}{20}\,R

Calculando a razão pedida:
I1I2=Req,2Req,1=15R/2011R/20=1511≈1,36\frac{\mathrm{I}_1}{\mathrm{I}_2} = \frac{R_{eq,2}}{R_{eq,1}} = \frac{15R/20}{11R/20} = \frac{15}{11} \approx 1{,}36

Como 1<1511<321 < \dfrac{15}{11} < \dfrac{3}{2}, a razão pertence ao intervalo (1 , 32)\left(1\,,\,\dfrac{3}{2}\right).

O sinal do resultado já era previsível sem conta: ligar a fonte em vértices vizinhos oferece um caminho mais curto à corrente (inclusive um resistor direto entre os terminais), de modo que Req,1<Req,2R_{eq,1}<R_{eq,2} e, portanto, I1>I2\mathrm{I}_1>\mathrm{I}_2. A conta serve para mostrar que essa vantagem é modesta — apenas 36%36\% — e não chega a 50%50\%.

Observação sobre a dica do enunciado. A sugestão R=R/2+R/2\mathrm{R}=\mathrm{R}/2+\mathrm{R}/2 aponta para o caminho clássico: partir ao meio o resistor cortado pelo eixo de simetria, criando ali um nó de potencial conhecido. O desdobramento do nó central usado acima chega exatamente aos mesmos valores usando apenas associações em série e em paralelo.