Questão 26

Física. Ondulatória e estática — catenária.

Uma corda perfeitamente flexível e inextensível está com suas extremidades presas a dois pontos, separados pela distância 2L2L, no teto horizontal de uma sala. A curva feita pela corda é conhecida na estática como catenária, sendo dada por:
y(x)=(ex/b+e−x/b)⋅b/2y(x) = \left(e^{x/b}+e^{-x/b}\right)\cdot b/2
onde bb é uma constante que depende de dimensões do aparato montado.

Dados:

  • −L≤x≤+L-L \le x \le +L;
  • tg⁡θ(x)=(ex/b−e−x/b)/2\tg\theta(x) = \left(e^{x/b}-e^{-x/b}\right)/2;
  • densidade linear da corda: constante;
  • comprimento total da corda: SS;
  • aceleração da gravidade: gg.

Dica:

  • obtenha equações de equilíbrio estático na corda como um todo e depois em metade da corda.

O valor local mínimo da velocidade de um pulso ondulatório transversal é:

  1. 12Sg(eL/b−e−L/b)\sqrt{\dfrac{1}{2}Sg\left(e^{L/b}-e^{-L/b}\right)}

  2. Sg(eL/b−e−L/b)\sqrt{Sg\left(e^{L/b}-e^{-L/b}\right)}

  3. 12Sg(eL/b−e−L/b)−1\dfrac{1}{2}\sqrt{Sg\left(e^{L/b}-e^{-L/b}\right)^{-1}}

  4. Sg(eL/b−e−L/b)−1\sqrt{Sg\left(e^{L/b}-e^{-L/b}\right)^{-1}}

    Alternativa correta
  5. 12Sg(eL/b−e−L/b)\dfrac{1}{2}\sqrt{Sg\left(e^{L/b}-e^{-L/b}\right)}

Gabarito D

Resolução

O princípio da ondulatória é a Equação de Taylor: a velocidade de um pulso transversal em uma corda de densidade linear μ\mu submetida a uma tração TT é
v=Tμv = \sqrt{\frac{T}{\mu}}
Como μ\mu é constante ao longo da corda, a velocidade é mínima onde a tração é mínima.

Onde a tração é mínima? Em cada ponto da catenária, a tração é tangente à curva. A componente horizontal da tração é a mesma em todos os pontos — é a única força horizontal que atravessa qualquer seção da corda, e não há força horizontal externa. Chamando-a de HH,
T(x)cos⁡θ(x)=H⇒T(x)=Hcos⁡θ(x)T(x)\cos\theta(x) = H \Rightarrow T(x) = \frac{H}{\cos\theta(x)}
O menor valor de TT ocorre onde cos⁡θ\cos\theta é máximo, isto é, onde θ=0\theta=0: no ponto mais baixo da corda, x=0x=0. Ali a tração é puramente horizontal e vale exatamente HH:
Tmin⁡=HT_{\min} = H

Equilíbrio da corda inteira: a corda toda tem massa m=μSm=\mu S e peso μSg\mu S g. Por simetria, as duas extremidades (x=±Lx=\pm L) sustentam metades iguais:
2 T(L) sen⁡θL=μSg2\,T(L)\,\sen\theta_L = \mu S g

Equilíbrio de metade da corda: este é o passo sugerido pela dica. Isolando o trecho de x=0x=0 até x=+Lx=+L, atuam sobre ele:

  • em x=0x=0, a tração horizontal HH (puxando para a esquerda);
  • em x=Lx=L, a tração T(L)T(L), inclinada de θL\theta_L;
  • o peso da metade, μSg2\dfrac{\mu S g}{2}.

Separando em componentes:
horizontal:T(L)cos⁡θL=Hvertical:T(L) sen⁡θL=μSg2\text{horizontal:}\quad T(L)\cos\theta_L = H \qquad\qquad \text{vertical:}\quad T(L)\,\sen\theta_L = \frac{\mu S g}{2}

Dividindo a segunda pela primeira:
tg⁡θL=μSg2H⇒H=μSg2 tg⁡θL\tg\theta_L = \frac{\mu S g}{2H} \Rightarrow H = \frac{\mu S g}{2\,\tg\theta_L}

Usando a inclinação dada pelo enunciado: em x=Lx=L,
tg⁡θL=eL/b−e−L/b2\tg\theta_L = \frac{e^{L/b}-e^{-L/b}}{2}
Substituindo,
H=μSg2⋅eL/b−e−L/b2=μSgeL/b−e−L/bH = \frac{\mu S g}{2\cdot\dfrac{e^{L/b}-e^{-L/b}}{2}} = \frac{\mu S g}{e^{L/b}-e^{-L/b}}

Aplicando a Equação de Taylor:
vmin⁡=Tmin⁡μ=Hμ=SgeL/b−e−L/b=Sg(eL/b−e−L/b)−1v_{\min} = \sqrt{\frac{T_{\min}}{\mu}} = \sqrt{\frac{H}{\mu}} = \sqrt{\frac{S g}{e^{L/b}-e^{-L/b}}} = \sqrt{S g\left(e^{L/b}-e^{-L/b}\right)^{-1}}

Repare que a densidade linear μ\mu se cancela, como tinha de acontecer: a resposta é dada só em termos de SS, gg, LL e bb. Fisicamente, quanto mais “barrigudo” o cabo (maior eL/b−e−L/be^{L/b}-e^{-L/b}, isto é, maior inclinação nas extremidades), menor a tração horizontal e mais lento o pulso no ponto mais baixo.