Questão 19

Física. Relatividade — efeito Doppler e adição de velocidades.

A figura mostra a transformação de Lorentz para diversas velocidades (0,3 c0{,}3\,c a 0,9 c0{,}9\,c) de um referencial em movimento em relação a um referencial inercial. Essa transformação é usada para calcular a velocidade relativa (eixo vertical) de um outro objeto se movimentando no mesmo sentido do referencial que está em alta velocidade (0,3 c0{,}3\,c a 0,9 c0{,}9\,c). O eixo horizontal exibe uma escala de velocidade em relação ao referencial inercial e o eixo vertical informa a velocidade relativa entre objeto e o referencial em movimento.

Uma nave XX e uma nave YY viajam, nos mesmos sentido e direção. A nave XX se aproxima de uma fonte de luz parada em relação a um referencial inercial, enquanto que a nave YY se afasta da fonte. Ambas as naves portanto percebem comprimentos de onda diferentes daquele emitido pela fonte.

Dados:

  • comprimento de onda emitido pela fonte parada no referencial inercial: λ\lambda;
  • comprimento de onda percebido pela nave XX: λ/2\lambda/2;
  • comprimento de onda percebido pela nave YY: 3λ3\lambda;
  • velocidade da luz: cc.

Observação:

  • a fonte e as naves estão sempre colineares.

Com as informações descritas, conclui-se que o módulo da velocidade relativa entre as naves é de aproximadamente:

  1. 0,20 c0{,}20\,c

  2. 0,15 c0{,}15\,c

  3. 0,75 c0{,}75\,c

  4. 0,92 c0{,}92\,c

  5. 0,39 c0{,}39\,c

    Alternativa correta

Gabarito E

Resolução

São dois princípios encadeados. Primeiro, o efeito Doppler relativístico, que fornece a velocidade de cada nave em relação ao referencial inercial da fonte a partir do comprimento de onda que ela mede. Depois, a transformação de Lorentz para velocidades (a adição relativística), que combina essas duas velocidades para dar a velocidade de uma nave medida pela outra — é exatamente o que o gráfico do enunciado tabula.

Efeito Doppler relativístico: para uma fonte e um observador que se afastam com velocidade relativa v=βcv=\beta c,
λobs=λ 1+β1−β\lambda_{\text{obs}} = \lambda\,\sqrt{\frac{1+\beta}{1-\beta}}
e, para aproximação, troca-se o sinal de β\beta.

Nave XX (aproxima-se, luz para o azul): ela mede λ/2\lambda/2, ou seja, λobs/λ=1/2\lambda_{\text{obs}}/\lambda = 1/2:
12=1−βX1+βX⇒14=1−βX1+βX⇒1+βX=4−4βX⇒5βX=3⇒βX=0,6\frac{1}{2} = \sqrt{\frac{1-\beta_X}{1+\beta_X}} \Rightarrow \frac{1}{4} = \frac{1-\beta_X}{1+\beta_X} \Rightarrow 1+\beta_X = 4-4\beta_X \Rightarrow 5\beta_X = 3 \Rightarrow \beta_X = 0{,}6
Logo vX=0,6 cv_X = 0{,}6\,c.

Nave YY (afasta-se, luz para o vermelho): ela mede 3λ3\lambda, ou seja, λobs/λ=3\lambda_{\text{obs}}/\lambda = 3:
3=1+βY1−βY⇒9=1+βY1−βY⇒9−9βY=1+βY⇒10βY=8⇒βY=0,83 = \sqrt{\frac{1+\beta_Y}{1-\beta_Y}} \Rightarrow 9 = \frac{1+\beta_Y}{1-\beta_Y} \Rightarrow 9-9\beta_Y = 1+\beta_Y \Rightarrow 10\beta_Y = 8 \Rightarrow \beta_Y = 0{,}8
Logo vY=0,8 cv_Y = 0{,}8\,c.

Compreendendo a geometria do problema: as duas naves viajam na mesma direção e no mesmo sentido. Para que XX se aproxime da fonte enquanto YY se afasta, as naves estão em lados opostos da fonte: XX ainda não passou por ela e YY já passou. Assim, no referencial inercial, as duas velocidades têm o mesmo sinal: vX=+0,6 cv_X = +0{,}6\,c e vY=+0,8 cv_Y = +0{,}8\,c.

Adição relativística de velocidades: a velocidade de YY medida por XX (que é o referencial em movimento a 0,6 c0{,}6\,c, o “objeto” sendo a nave YY, a 0,8 c0{,}8\,c) é
u=vY−vX1−vX vYc2=0,8c−0,6c1−(0,6)(0,8)=0,2 c1−0,48=0,2 c0,52u = \frac{v_Y - v_X}{1-\dfrac{v_X\,v_Y}{c^{2}}} = \frac{0{,}8c-0{,}6c}{1-(0{,}6)(0{,}8)} = \frac{0{,}2\,c}{1-0{,}48} = \frac{0{,}2\,c}{0{,}52}
u≈0,3846 c≈0,39 cu \approx 0{,}3846\,c \approx 0{,}39\,c

O mesmo valor sai diretamente do gráfico: basta entrar na curva rotulada 0,6 c0{,}6\,c (o referencial em movimento) na abscissa 0,8 c0{,}8\,c (a velocidade do objeto no referencial inercial) e ler a ordenada, próxima de 0,39 c0{,}39\,c.

Repare no sentido físico: classicamente teríamos 0,8c−0,6c=0,2c0{,}8c-0{,}6c=0{,}2c (alternativa A, o distrator galileano). A correção relativística aumenta esse valor para 0,39 c0{,}39\,c, como tem de ser — mas sem nunca ultrapassar cc.