Questão 19
Física. Relatividade — efeito Doppler e adição de velocidades.

A figura mostra a transformação de Lorentz para diversas velocidades ( a ) de um referencial em movimento em relação a um referencial inercial. Essa transformação é usada para calcular a velocidade relativa (eixo vertical) de um outro objeto se movimentando no mesmo sentido do referencial que está em alta velocidade ( a ). O eixo horizontal exibe uma escala de velocidade em relação ao referencial inercial e o eixo vertical informa a velocidade relativa entre objeto e o referencial em movimento.
Uma nave e uma nave viajam, nos mesmos sentido e direção. A nave se aproxima de uma fonte de luz parada em relação a um referencial inercial, enquanto que a nave se afasta da fonte. Ambas as naves portanto percebem comprimentos de onda diferentes daquele emitido pela fonte.
Dados:
- comprimento de onda emitido pela fonte parada no referencial inercial: ;
- comprimento de onda percebido pela nave : ;
- comprimento de onda percebido pela nave : ;
- velocidade da luz: .
Observação:
- a fonte e as naves estão sempre colineares.
Com as informações descritas, conclui-se que o módulo da velocidade relativa entre as naves é de aproximadamente:
- Alternativa correta
Gabarito E
Resolução
São dois princípios encadeados. Primeiro, o efeito Doppler relativístico, que fornece a velocidade de cada nave em relação ao referencial inercial da fonte a partir do comprimento de onda que ela mede. Depois, a transformação de Lorentz para velocidades (a adição relativística), que combina essas duas velocidades para dar a velocidade de uma nave medida pela outra — é exatamente o que o gráfico do enunciado tabula.
Efeito Doppler relativístico: para uma fonte e um observador que se afastam com velocidade relativa ,
e, para aproximação, troca-se o sinal de .
Nave (aproxima-se, luz para o azul): ela mede , ou seja, :
Logo .
Nave (afasta-se, luz para o vermelho): ela mede , ou seja, :
Logo .
Compreendendo a geometria do problema: as duas naves viajam na mesma direção e no mesmo sentido. Para que se aproxime da fonte enquanto se afasta, as naves estão em lados opostos da fonte: ainda não passou por ela e já passou. Assim, no referencial inercial, as duas velocidades têm o mesmo sinal: e .

Adição relativística de velocidades: a velocidade de medida por (que é o referencial em movimento a , o “objeto” sendo a nave , a ) é
O mesmo valor sai diretamente do gráfico: basta entrar na curva rotulada (o referencial em movimento) na abscissa (a velocidade do objeto no referencial inercial) e ler a ordenada, próxima de .
Repare no sentido físico: classicamente teríamos (alternativa A, o distrator galileano). A correção relativística aumenta esse valor para , como tem de ser — mas sem nunca ultrapassar .
