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Questão 14

Física. Estática — esfera encunhada entre o piso e uma esfera fixa.

Duas esferas homogêneas, em contato entre si, repousam sobre um piso, e a maior também está em contato com um degrau, conforme ilustra a figura acima. A esfera menor tem massa mm e raio RR, enquanto a maior tem raio 2R2R e está fixa. O coeficiente de atrito estático entre as esferas e entre a esfera menor e o piso é μ=2/8\mu = \sqrt{2}/8. Uma força F⃗\vec{F}, de intensidade aumentada gradativamente, é aplicada horizontalmente na esfera menor a uma altura 3R/23R/2. Assinale a alternativa que corresponde à máxima intensidade da força F⃗\vec{F} em que a esfera menor ainda permaneça em repouso.

  1. 225mg2\dfrac{\sqrt{2}}{5}mg.

  2. 42 mg4\sqrt{2}\,mg.

  3. 1819mg\dfrac{\sqrt{18}}{19}mg.

  4. 10219mg10\dfrac{\sqrt{2}}{19}mg.

    Alternativa correta
  5. 529mg5\dfrac{\sqrt{2}}{9}mg.

Gabarito D

Resolução

Para o equilíbrio da esfera (corpo extenso), devemos garantir que:
∑F⃗=0⃗∑M⃗O=0⃗\sum \vec{F} = \vec{0} \qquad\qquad \sum \vec{M}_{O} = \vec{0}

Antes de qualquer conta é preciso decidir como a esfera menor pode começar a se mover.
Ela está encunhada entre o piso e a esfera maior, que é fixa: empurrada para a direita, ela não tem para onde transladar, pois a esfera grande barra o caminho. Resta um único movimento possível — girar em torno do próprio centro, escorregando ao mesmo tempo nos dois contatos. É por isso que, na iminência do movimento, os dois atritos estão no valor máximo, f=μNf = \mu N, e o problema deixa de ser estaticamente indeterminado.

Para a geometria apresentada pelas esferas, vemos que os centros distam R+2R=3RR + 2R = 3R e a diferença de alturas entre eles é 2R−R=R2R - R = R. Pelo teorema de Pitágoras, a distância horizontal entre os centros vale
(3R)2−R2=22 R\sqrt{(3R)^{2} - R^{2}} = 2\sqrt{2}\,R
Logo a linha que une os centros faz com a horizontal um ângulo θ\theta tal que
cos⁡θ=223sen⁡θ=13\cos\theta = \frac{2\sqrt{2}}{3} \qquad\qquad \sen\theta = \frac{1}{3}
A normal N2N_2 da esfera grande age sobre a menor ao longo dessa linha, apontando para fora da esfera grande; a força de atrito f2f_2 age perpendicularmente a ela.

Note que a força F⃗\vec F é aplicada a 3R/23R/2 do piso, isto é, R/2R/2 acima do centro, e aponta para a direita. Dessa forma, seu momento em relação ao centro tende, portanto, a girar a esfera no sentido horário. Girando assim, o ponto de contato com o piso escorrega para a esquerda e o ponto de contato com a esfera grande escorrega para baixo; as duas forças de atrito se opõem a esses escorregamentos e ambas produzem momento anti-horário — é exatamente o que segura a esfera.

Para a condição de equilíbrio rotacional da esfera menor, escolhemos o centro como polo justamente porque as duas normais e o peso passam por ele e somem da equação. Como qualquer força de atrito é tangente à superfície, seu braço em relação ao centro é o próprio raio RR, e o braço de F⃗\vec F é R/2R/2:
F⋅R2=μN1⋅R+μN2⋅R  ⟹  F=2μ (N1+N2)F\cdot\frac{R}{2} = \mu N_{1}\cdot R + \mu N_{2}\cdot R \;\Longrightarrow\; F = 2\mu\,(N_{1}+N_{2})

Fazendo o equilíbrio translacional na vertical, projetando N2N_2 e f2f_2 no eixo vertical:
N1−mg−N2sen⁡θ+μN2cos⁡θ=0N_{1} - mg - N_{2}\sen\theta + \mu N_{2}\cos\theta = 0
N1=mg+N23−28⋅223 N2=mg+N23−N26=mg+N26N_{1} = mg + \frac{N_{2}}{3} - \frac{\sqrt{2}}{8}\cdot\frac{2\sqrt{2}}{3}\,N_{2} = mg + \frac{N_{2}}{3} - \frac{N_{2}}{6} = mg + \frac{N_{2}}{6}

Para o equilíbrio translacional na horizontal, agora projetando as mesmas forças no eixo horizontal, vem:
F+μN1−N2cos⁡θ−μN2sen⁡θ=0F + \mu N_{1} - N_{2}\cos\theta - \mu N_{2}\sen\theta = 0
F=223 N2+28⋅13 N2−28 N1=17224 N2−28 N1F = \frac{2\sqrt{2}}{3}\,N_{2} + \frac{\sqrt{2}}{8}\cdot\frac{1}{3}\,N_{2} - \frac{\sqrt{2}}{8}\,N_{1} = \frac{17\sqrt{2}}{24}\,N_{2} - \frac{\sqrt{2}}{8}\,N_{1}

Resolvendo as equações provenientes dos momentos: F=2μ(N1+N2)=24(N1+N2)F = 2\mu(N_1+N_2) = \frac{\sqrt{2}}{4}(N_{1}+N_{2}). Igualando e dividindo tudo por 2\sqrt{2},
N1+N24=1724N2−N18  ⟹  38N1=1124N2  ⟹  N1=119N2\frac{N_{1}+N_{2}}{4} = \frac{17}{24}N_{2} - \frac{N_{1}}{8} \;\Longrightarrow\; \frac{3}{8}N_{1} = \frac{11}{24}N_{2} \;\Longrightarrow\; N_{1} = \frac{11}{9}N_{2}

Levando essa relação na equação da vertical:
119N2−N26=mg  ⟹  1918N2=mg  ⟹  N2=1819mgeN1=2219mg\frac{11}{9}N_{2} - \frac{N_{2}}{6} = mg \;\Longrightarrow\; \frac{19}{18}N_{2} = mg \;\Longrightarrow\; N_{2} = \frac{18}{19}mg \qquad\text{e}\qquad N_{1} = \frac{22}{19}mg

Finalmente, econtramos o valor máximo da força aplicada:
F=24(2219mg+1819mg)=24⋅4019mg=10 219 mgF = \frac{\sqrt{2}}{4}\left(\frac{22}{19}mg + \frac{18}{19}mg\right) = \frac{\sqrt{2}}{4}\cdot\frac{40}{19}mg = 10\,\frac{\sqrt{2}}{19}\,mg