Questão 2

Química. Propriedades coligativas — osmose reversa e pressão osmótica.

Considere um processo de osmose reversa conforme indicado na figura. Nesse processo, o pistão onde se encontra a solução sofre a ação de uma pressão (π\pi) num processo de compressão que ocorre de modo reversível. O êmbolo que contém o solvente puro também é móvel.

Com relação aos dois compartimentos, considere: i) eles são separados por uma membrana semipermeável, que permite apenas a passagem do solvente; ii) ambos possuem o mesmo volume inicial, com a base do compartimento possuindo uma área de 1 dm21\ \mathrm{dm^2}; iii) a altura inicial do êmbolo móvel em relação à base é igual a 10 dm10\ \mathrm{dm}. A solução aquosa contém 0,2 mol0{,}2\ \mathrm{mol} de uma substância, cuja massa molar é igual a 80 g mol−180\ \mathrm{g\,mol^{-1}}. Essa substância apresenta uma solubilidade de 4 g L−14\ \mathrm{g\,L^{-1}}. Todo o processo ocorre à temperatura constante de 305 K305\ \mathrm{K}. A partir dessas informações, apresente os cálculos e construa um gráfico da pressão osmótica (π\pi, em atm) em função do deslocamento do êmbolo (em dm), conforme a figura, da posição inicial, como sendo igual a zero, até o valor de 9 dm9\ \mathrm{dm}.

Dado: R=8,21⋅10−2 atm L K−1 mol−1R = 8{,}21\cdot 10^{-2}\ \mathrm{atm\,L\,K^{-1}\,mol^{-1}}.

Resposta

π=5,010−x\pi = \dfrac{5{,}0}{10 - x} atm, crescendo de 0,50 atm0{,}50\ \mathrm{atm} em x=0x = 0 até 1,25 atm1{,}25\ \mathrm{atm} em x=6 dmx = 6\ \mathrm{dm}, onde a solução satura; de 66 a 9 dm9\ \mathrm{dm}, π=1,25 atm\pi = 1{,}25\ \mathrm{atm} constante

Resolução

A pressão que deve ser aplicada sobre a solução para impedir (ou, no limite reversível, inverter) a passagem do solvente pela membrana é
π=M R T\pi = M\,R\,T
em que MM é a concentração em quantidade de matéria do soluto dissolvido. Na compressão reversível, a pressão extra sobre o pistão da solução iguala, em cada instante, a pressão osmótica da solução naquele instante.

A base tem área 1 dm21\ \mathrm{dm^2} e a altura inicial é 10 dm10\ \mathrm{dm}, logo o volume inicial é 10 dm3=10 L10\ \mathrm{dm^3} = 10\ \mathrm{L}. Quando o êmbolo desce xx decímetros, o solvente expulso atravessa a membrana e o volume da solução passa a
V=(10−x) LV = (10 - x)\ \mathrm{L}

Produto RT:
RT=8,21⋅10−2⋅305=25,0 atm L mol−1RT = 8{,}21\cdot 10^{-2}\cdot 305 = 25{,}0\ \mathrm{atm\,L\,mol^{-1}}

A solubilidade de 4 g L−14\ \mathrm{g\,L^{-1}} corresponde a
Msat=480=0,05 mol L−1M_{\text{sat}} = \frac{4}{80} = 0{,}05\ \mathrm{mol\,L^{-1}}
Na posição inicial, M0=0,210=0,02 mol L−1<MsatM_0 = \dfrac{0{,}2}{10} = 0{,}02\ \mathrm{mol\,L^{-1}} < M_{\text{sat}}: a solução começa insaturada.

Trecho 1 (solução insaturada): enquanto todo o soluto está dissolvido,
π=nVRT=0,2⋅25,010−x=5,010−x atm\pi = \frac{n}{V}RT = \frac{0{,}2\cdot 25{,}0}{10 - x} = \frac{5{,}0}{10 - x}\ \mathrm{atm}
A saturação é atingida quando M=MsatM = M_{\text{sat}}:
0,210−x=0,05⟹10−x=4⟹x=6 dm\frac{0{,}2}{10 - x} = 0{,}05 \quad\Longrightarrow\quad 10 - x = 4 \quad\Longrightarrow\quad x = 6\ \mathrm{dm}
Nesse ponto,
πsat=0,05⋅25,0=1,25 atm\pi_{\text{sat}} = 0{,}05\cdot 25{,}0 = 1{,}25\ \mathrm{atm}

Trecho 2 (solução saturada): de x=6 dmx = 6\ \mathrm{dm} a x=9 dmx = 9\ \mathrm{dm}, o soluto que excede a solubilidade precipita e a concentração da solução permanece fixa em 0,05 mol L−10{,}05\ \mathrm{mol\,L^{-1}}. A pressão osmótica fica constante:
π=1,25 atm(6≤x≤9 dm)\pi = 1{,}25\ \mathrm{atm} \qquad (6 \le x \le 9\ \mathrm{dm})
Em x=9 dmx = 9\ \mathrm{dm} restam 1 L1\ \mathrm{L} de solução com 0,05 mol0{,}05\ \mathrm{mol} dissolvidos e 0,15 mol0{,}15\ \mathrm{mol} de sólido precipitado.

Tabela de valores:

Gráfico:

Resposta: π=5,010−x\pi = \dfrac{5{,}0}{10 - x} atm, crescendo de 0,50 atm0{,}50\ \mathrm{atm} em x=0x = 0 até 1,25 atm1{,}25\ \mathrm{atm} em x=6 dmx = 6\ \mathrm{dm}, onde a solução satura; de 66 a 9 dm9\ \mathrm{dm}, π=1,25 atm\pi = 1{,}25\ \mathrm{atm} constante